As fotos.
Dia de manhã. Recta. Uns 70Km/h. Autocarro parado no outro lado da estrada. Nada de passadeiras. Rapariga relâmpago saída do "nada", ou melhor, detrás do autocarro...
PANCADA!
... e só depois travão.
Não consigo descrever de outra forma.
Depois...
PÂNICO!!!
Não consigo descrever o que se sente quando se abandona o carro, se olha a berma da estrada, e se vê, ali mesmo, deitada à nossa frente, inconsciente, a rapariga que acabamos de atropelar.
Passa-te tudo pela cabeça. Primeiro, que está morta. Depois acorda e chora. Mas não se mexe. Não sabes, se está toda partida, se tem lesões internas, se tem isto ou tem aquilo. Simplesmente, pensas sempre no pior. Vai morrer. Vai ficar paralisada. Vai ficar com lesões para todo o sempre. Simplesmente sentes-te na merda.
Cada minuto que passa, parece uma eternidade.
Agarras-lhe a mão, a única que aparentemente mexe. Ela olha para ti, chora, aperta a mão e repete 3 a 4 vezes, as soluços, DESCULPE. É aqui que desmaia novamente. O PÂNICO continua lá, mas agora CRESCE. Eu não sei que ela "apenas" acabou de desmaiar de novo. Não sei mesmo. Para mim acabou de... , e aquelas desculpas parecem-me uma despedida. É aqui que chamo o 115 a segunda vez. É o desespero, obviamente não se esqueceram de mim, mas porra, não sabia mais que fazer.
Não me vou alongar. Já o fiz demais. Apenas acrescento. Que apesar de tudo, a rapariga apenas partiu a clavícula, e este é mesmo um verdadeiro apenas. O cenário poderia ter sido muito mais devastador.
Foi provavelmente, um dos piores dias da minha vida. Onde acabei na urgência com um calmante sublingual e os olhos mais vermelhos que a camisola do glorioso, e mais fechados do que os olhos de um mocado.
Mas este também foi, e olhando para trás, um dos dias com mais sorte da minha vida. Não sei se conseguiria ultrapassar algo pior. E não, acreditem que não interessa se não são culpados. Não interessa. Sei do que falo, apesar de não puder prever o futuro de como seria.
Hoje a rapariga está bem. Eu também. E até já somos amigos nas redes sociais. Agradecia a quem me conhece nessas redes sociais, a não comentar lá a situação. Obrigado.
PS: Liguei mesmo o 115, para quem não sabe, redireccionam ao 112. Eu marquei a primeira coisa que me lembrei.
Dia de manhã. Recta. Uns 70Km/h. Autocarro parado no outro lado da estrada. Nada de passadeiras. Rapariga relâmpago saída do "nada", ou melhor, detrás do autocarro...
PANCADA!
... e só depois travão.
Não consigo descrever de outra forma.
Depois...
PÂNICO!!!
Não consigo descrever o que se sente quando se abandona o carro, se olha a berma da estrada, e se vê, ali mesmo, deitada à nossa frente, inconsciente, a rapariga que acabamos de atropelar.
Passa-te tudo pela cabeça. Primeiro, que está morta. Depois acorda e chora. Mas não se mexe. Não sabes, se está toda partida, se tem lesões internas, se tem isto ou tem aquilo. Simplesmente, pensas sempre no pior. Vai morrer. Vai ficar paralisada. Vai ficar com lesões para todo o sempre. Simplesmente sentes-te na merda.
Cada minuto que passa, parece uma eternidade.
Agarras-lhe a mão, a única que aparentemente mexe. Ela olha para ti, chora, aperta a mão e repete 3 a 4 vezes, as soluços, DESCULPE. É aqui que desmaia novamente. O PÂNICO continua lá, mas agora CRESCE. Eu não sei que ela "apenas" acabou de desmaiar de novo. Não sei mesmo. Para mim acabou de... , e aquelas desculpas parecem-me uma despedida. É aqui que chamo o 115 a segunda vez. É o desespero, obviamente não se esqueceram de mim, mas porra, não sabia mais que fazer.
Não me vou alongar. Já o fiz demais. Apenas acrescento. Que apesar de tudo, a rapariga apenas partiu a clavícula, e este é mesmo um verdadeiro apenas. O cenário poderia ter sido muito mais devastador.
Foi provavelmente, um dos piores dias da minha vida. Onde acabei na urgência com um calmante sublingual e os olhos mais vermelhos que a camisola do glorioso, e mais fechados do que os olhos de um mocado.
Mas este também foi, e olhando para trás, um dos dias com mais sorte da minha vida. Não sei se conseguiria ultrapassar algo pior. E não, acreditem que não interessa se não são culpados. Não interessa. Sei do que falo, apesar de não puder prever o futuro de como seria.
Hoje a rapariga está bem. Eu também. E até já somos amigos nas redes sociais. Agradecia a quem me conhece nessas redes sociais, a não comentar lá a situação. Obrigado.
PS: Liguei mesmo o 115, para quem não sabe, redireccionam ao 112. Eu marquei a primeira coisa que me lembrei.


